Vejam um ciclista, ele gosta de ajudar as pessoas e de preservar a natureza

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Depoimentos


Autor: Ricardo Tavares(Curupas)
Data: 24Mai2006
Assunto: Audax 300 km-RS
Fonte: E-mail

Título: Audax 300 km-Uma longa história sem um final :0)

Esse ficou meio grandinho, para vaiar, ha ha ha...

Como é de praxe, aviso que é melhor não lerem, muitas emoções e muito frio e chuva, vocês podem ficar gripados. Melhor não ler.

Vocês foram avisados (mais uma vez).

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Algumas histórias são fáceis de se contar, olhando para trás, pode-se ver com clareza onde tais histórias começam, contá-las acontece muito naturalmente, histórias de pescadores são assim, grandes feitos heróicos também e por aí vai.

Mas existem aqueles acontecimentos tão cheios de emoções, tão carregados de conteúdo que não se sabe ao certo onde começaram, alguns namoros são assim...algumas dívidas também.

O Audax para mim é como um namoro, não sei como passei a me interessar por ele, se eu o descobri ou o contrário, não importa.

Acho que o Audax começou pra mim naquela dia em Santa Bárabara de Goiás, dezenove de dezembro de 2004. O dia em que eu vi um bando de malucos sobre suas bikes.

E como boas coisas não acontecem sozinhas, foi nesse dia que eu também descobri o número enorme de prazeres que uma bike pode proporcionar. Conheci o pedal descompromissado do rebas e do pedal noturno, o pedal maluco e kamikaze de alguns colegas, o estilo e a força de camaradas da elite. Conheci os tombos em descidas, as caimbras das subidas, o esforço psicológico das longas distâncias. A solidão nas trilhas e a boa companhia e o bom papo nessas mesmas trilhas.

Pedalei em Minas Gerais, Goiás, Natal, Fortaleza e Rio Grande do Sul, e, se você esquecer o sotaque variado descobrirá que os ciclitas são todos iguais onde quer que você vá. Tá aí uma coisa que torna de fato os homens irmãos: o esporte, em particular o esporte sobre uma bike.

O Audax 300Km foi mais uma oportunidade de comprovar que eu sou pirado mesmo por esse negócio de bike. Foi mesmo de me apertar o coração não ter cruzado aquela linha de chegada. Vou aparecer por lá no 400Km pra prestigiar.

Chegamos em Porto Alegre as 9.30 do dia 19 após uma escala rápida em São Paulo/Guarulhos. Eu, Walter, Foca e PC. Optei mais uma vez pela speed ao invés da mountain bike mesmo sabendo da previsão de chuva para a madrugada da largada, do chão a gente não passa.

Meus camaradas despacharam suas bikes montadas apenas com os componentes mais delicados, câmbios, suspensão, etc. protegidos por espuma. Parece ser uma forma mais segura de transporte em aviões, excetuando-se talvez o transporte em case rígido.

Minha bike não veio, foi descarregada erroneamente em São Paulo, parece que alguém confundiu o mala-bike com instrumentos musicais da banda Areketo que desembarcou em São Paulo.

O mala-bike só chegou as 16.50 com alguns sinais de maus-tratos pelo pessoal da TAM, embora aviação seja uma atividade de alta tecnologia essa alta tecnologia não chegou as bagagens nem nos lanches fornecidos.

Comecei a montar minha bike por volta das 18 horas, o resto do pessoal já estava trabalhando nas "vestimentas" para uso durante o pedal pois desde que descemos no aeroporto até o término da prova uma chuvinha fina e insistente, de dia em torno de 16 graus e a noite entre 9 e 10 graus, caia constantemente sobre os ciclistas. De quebra um vento razoavelmente intenso deveria colocar a sensação térmica em torno de 6 a 7 graus a noite. Eita! Nós do deserto iríamos sofrer um pouco.

Na minha bike eu instalei um bagageiro e sobre ele pus uma bolsa apropriada carregando cerca de 3.5Kg de hidro-plus, power-gel e material de primeiros socorros além de ferramentas e camaras de reserva. Não gostei do uso de mochilas de guidão na speed, prejudica muito a manobrabilidade. Usei duas garrafinhas de água, mais do que suficientes para chegar em cada PC separados entre si por 50Km cada um. Em uma garrafa hidro-plus e na outra somente água. Poderia ter levado a metade de tudo, incluindo da água.

Não sou muito friorento e também não gosto de usar muitas roupas, usei meu breteli amarelo, camisa de manga curta, um quebra-vento sem manga, um casaco de suplex de manga comprida por cima, uma capa de chuva e o refletivo por cima. Calcei um par de luvas de lã, protegi essas luvas com luvas cirúrgicas (de látex) e pus a luva de ciclismo sobre. Fiquei na dúvida sobre a efetividade da solução. Acho que bastariam as luvas de ciclismo. Não senti frio em momento algum durante o pedal, incluindo durante a largada. Sentia algum desconforto após cada saída de um PC porque estava molhado e o corpo começando a esfriar. A recomendação para não deixar o corpo esfriar é cem por cento correta!! Se você optar por parar por muito tempo em algum lugar que não seja com a roupa molhada.

Após a largada eu optei por pedalar em velocidade bem baixa para poder sentir a bike naquela chuva toda. Existia uma certa dificuldade de se enxergar o asfalto em parte por conta da chuva e escuridão e em parte por conta das luzes traseiras de algumas bikes que me ofuscavam. Catei alguns buracos nesse momento e tive que fazer manobras de última hora algumas vezes mas aos poucos me acostumei com o terreno e posso dizer sem sombra de dúvida que não é tão fácil como se pensa por uma speed no chão, a fragilidade da roda para mim foi a única preocupação. Catei alguns buracos que eu pensei haviam tornado a roda quadrada, mas a magrela resistiu bravamente.

Após a ponte sobre o rio Guaíba eu colei em um "bolo", um bolo é uma coisa parecida com um pelotão. Era composto basicamente por mountain bikes, fiquei por ali aproveitando a proteção contra o vento e tentando localizar meus camaradas dos quais havia me perdido. Havíamos combinado pedalarmos juntos. Não gosto de ficar em pelotes de mountain bike quando estou de speed porque os brothers pilotam de forma diferenciada, atropelando buracos e confiando na efetividade de seus freios e tração.

Fui pulando de pelote em pelote até encontrar Walter nos esperando no quilômetro 15, aguardamos uns pouco segundos e PC e Foca se reagruparam, continuamos o pedal e mais uma vez nos separamos.

Me aproximei de um pelote de cinco mtbs e fiquei por ali enquanto aguardava a galera se aproximar. Passada uma meia hora PC se aproximou carregando a iluminação menos discreta da história do Audax parecia a iluminação daquelas "casa de tolerância" em bairro de periferia. Impossível pedalar atrás dele sem comprometer a visão e a sanidade.

Por volta do quilometro 30, próximo a um pedágio eu e PC resolvemos aguardar Walter e Foca, fiz um pipi profilático (aquele que vc faz porque não tem nada melhor pra fazer) e comemos algumas bobagens.

A espera foi demorada e pensamos que talvez Walter e Foca houvessem nos ultrapassado sem que houvessemos percebido.

Subi na bike pedalei um pouco ao lado do PC e logo nos separamos mais uma vez, nosso proximo encontro seria no PC 50Km.

Olhando para trás observando a iluminação frontal da bike do PC me veio a cabeça "Contatos Imediatos" e "Independence Day"...brrr! Com aquela balaclava e um certo olhar insano talvez PC não fosse, afinal, um terráqueo.

A pista nos últimos 20Km em direção ao PC 50Km era sem iluminação e eu aproveitava o farol dos carros que passavam para avaliar o trecho que seria pedalado, mais de uma vez pedalando no acostamento eu escapei de me machucar por conta do estado em que se encontrava. Resolvi pedalar na pista, ao lado esquerdo do acostamento, muitos outros bikers já estavam fazendo o mesmo. Fui novamente pulando de pelote em pelote.

Parava alguns minutos atrás de um pelote, escolhia o próximo mais para a frente e assim ia avançando o trecho. Era uma forma de distração. Faltando cerca de 5Km encontrei dois caras de speed socando a bota naquele escuro. Colei neles e fomos a quase 32Km por hora sem enxergar direito o caminho. Sei, 32Km não é muito de speed, mas no escuro era sim senhor :o). Eles de vez em quando tentavam uma fuga mas eu consegui me manter colado, eita coisa boa!

Ao atravessar uma ponte o desnível quase me derruba, logo em seguida a chegada ao PC 50Km pois fim a nossa afobação, ainda bem. Estavamos que em meio a um pega. Não ia acabar bem :o)

Carimbei meu passaporte e corri para pegar um pedaço de pão e café, o pão estava dentro de um saco e eu não conseguia enfiar a pata com a luva lá dentro. O brother do apoio me ajudou. Não tirei as luvas por que a mão de obra pra por o conjuntinho fashion-cirúrgico seria grande.

Nesse instante chegaram Walter, PC e Foca. Ficamos um bom tempo por lá, uns 20 minutos eu acho, mais do que eu gostaria. Por fim saímos em direção ao PC 100, estavamos em um ritmo bom. Se o mantivessemos, o brevet 300Km estaria no papo.

Seis quilômetros mais para a frente Walter avisa que vai parar e voltar para o PC 50Km, disse que não estava se sentindo bem.

Ficamos preocupados com a volta solitária de Walter e insistimos para ele continuar até o PC 100, mas vocês conhecem nosso amigo, não é? Nem parou para conversar, fez meia-volta e foi embora. Depois eu pensei que a distancia era pequena e que uma grande quantidade de bikers ainda estava atrás de nós. Walter não ficaria sozinho durante o retorno. Mas era uma pena.

Uma sombra de pesar passou pela minha cabeça.

O planejamento, a animação, as discussões, as dificuldades e as decisões eram todas feitas em conjunto. Quando um de nós se separa do grupo. O grupo morre um pouco...

Enquanto isso, a chuva fina continuava, a temperatura era de cerca de 9.8graus, sim, eu estava com um termometro amarrado na bike :o). O vento frio lambia o rosto, pelo menos o meu que estava sem proteção e eu sentia pequenas agulhadas na face.

Ao longo daquele trecho escuro alguns automóveis, muito raros, passavam nos cumprimentando. Eu levantava a cabeça e podia ver quilometros de luzes vermelhas a minha frente das bicicletas dos camaradas Audaxiosos. Muito legal. Aqui e acolá alguns ciclistas parados consertando ou ajudando a consertar magrelas, mas tudo tranquilo, todos animados. Exceto pela nossa presença não havia vivalma no lugar.

Chegamos a uma ponte sobre um grande rio. Tem um nome incomum, não lembro agora. Mais um pouco de pipi profilático. Após uma pequena subida em seguida a essa ponte, do outro lado da pista, havia uma espécie de pracinha, com bancos, um comércio mais ao longe..algo assim. PC parou e avisou que estava com sono que iria parar por ali e tirar um cochilo e que nós podíamos continuar, sem problemas.

Em silêncio, eu e Foca concordamos. Recomendei PC que apagasse as luzes da bicicleta e seguimos em frente. Pensei que não fosse mais ver o PC porque acreditei que ele fosse alongar em demasiado o sono e acordar frio e desanimado demais para voltar a pedalar, especialmente sozinho.

Alguns quilômetros atrás, logo depois que deixamos Walter, Foca estava pedalando bem enquanto que PC estava mais lento.

Agora, após termos nos separado de PC, Foca começou a diminuir o ritmo, faltavam pouco menos de 25Km para chegarmos ao PC 100 e era algo em torno das 4.30 da manhã. Estimei nossa chegada em um primeiro momento para as 6.30 da manhã. Não era de todo mau embora nos forçasse a uma parada rápida naquele PC.

Porém aquele era um trecho de subidas, não era um trecho de subidas fortes mas de múltiplas subidas. Foca começou a reclamar muito do frio e reduziu bastante o ritmo do pedal, para algo em torno de 8Km/h. Minha previsão de chegada passou para as 7.30. A medida em que avançávamos lentamente através daquelas subidas vários pelotes nos ultrapassavam, alguns deles também em baixa velocidade.

Aos poucos, até os ciclistas solitários nos alcançaram e nos ultrapassaram. Certa feita paramos para verficarmos os batimentos e situação geral. Os batimentos de Foca estavam bons, assim como o meu que era cerca de 112, coerentes com o frio, o ritmo e o tempo de pedal sem dormir.

Prosseguimos e, aos poucos, após a última subida, enfim o PC 100.

Foca resolveu desisitir. Me pagou um chocolate quente e, enquanto eu verificava minha água e comia um pedaço de chocolate, para minha surpresa e alegria vi o PC aparecer com a sua bicicleta estilo "Daslu". Não iria continuar o próximo trecho sozinho. Muito bom!

Fiquei rindo sozinho um tempo. Imaginei que PC havia parado naquele ponto deserto para aguardar a nave mãe e passar algum tipo de relatório, ou então recarregar seu tanque de metano-hidrogenio para poder respirar na atmosfera terrestre...

PC partiu alguns metros na minha frente. Em meio a primeira pequena subida após o PC 100Km eu o alcancei e assim, pedalando em um ritmo bem lento, cerca de 6Km/h prosseguimos por mais um ou dois quilômetros. Conversamos abobrinhas e discutimos a respeito do tempo de prova restante, da nossa velocidade atual e se nesse ritmo conseguiríamos completar a prova no tempo. Na minha opinião precisávamos acelerar mais do contrário teremos que pedalar forçado muitos quilômetros. PC acreditava que houvesse tempo mas me disse que estava cansado para realizar as subidas mais rápido e disse que eu poderia partir em um ritmo melhor, sem problemas. Nós conversaríamos quando eu cruzasse o caminho dele já voltando ou então no PC 150Km caso eu não sustentasse um ritmo bom.

Acelerei aos poucos até que alcancei a média de 22Km/h, foi fácil porque o trecho era bem pouco acidentado. Ultrapassei vários ciclistas isolados e alguns pelotes, estava me sentindo muito bem. O fato de pedalar um pouco mais forte me aqueceu e eliminou os últimos vestígios de sono.

Vinte quilômetros mais para a frente eu encontrei uma subida longa, não muito inclinada mas que eu só consegui subir a 14Km/h. A minha frente, quatro ou cinco ciclistas estavam completando a subida. Nesse momento também vi os primeiros ciclistas retornando do PC 150Km. Avaliei que eles estavam uma hora e meia a minha frente, cerca de 40Km incluindo o tempo de parada no PC 150. Não estava tão ruim assim.

Após essa subida alcancei uma área relativamente plana onde pude pedalar a cerca de 32Km/h por um bom tempo, passei por alguns povoados, cruzei com alguns locais e outros ciclistas do Audax e por fim, 15 paras 10 eu alcancei o PC 150Km, dentro do prazo que havia me estipulado.

Carimbei meu passaporte e voltei para rotina de verificar a água, comer chocolate, hydro-plus e então fui lanchar. Resolvi que ficaria ali até as 10.20 para aguardar PC. Não sabia que ele havia desistido 15Km depois que nos separamos.

Tive alguma dificuldade pra pedir um queijo-quente e uma média. O rapaz do balcão não sabia o que era. No final deu tudo certo.

Fiz mais um pipi. Acredito que fiz cerca de 20 pipis durante essa prova :o). Quando eu saí da "lancheria" pra pegar a bike achei que as minhas coxas estavam muito inchadas, contraídas pelo pedal. Achei que seria uma boa idéia alongar um pouco. Me apoei em algum lugar e segurei a perna direita flexionando a mesma pra trás, não consegui flexionar muito e desisti, passei para a outra perna e puxei com um pouco mais de força. Senti um pequeno estalo próximo ao lado externo e acima da patela, como um elástico rompendo. Não senti dor alguma mas desisti de alongar.

Caminhei para o outro lado da rua, subi na bike e iniciei o pedal de volta. Estava me sentindo muito bem ainda. Olhei para o relógio, o batimento em 122, velocidade 24Km/h e acelerando, respiração boa. A temperatura estava em torno de 13 graus. 10.40 da manhã. Previsão de chegada no PC 150Km: 12.30. Tava bom. Fiquei feliz, achei que conseguiria completar o Audax 300Km. Dez quilômetros para a frente senti uma dor intensa próximo ao joelho que por muito pouco não me derruba da bike. Doeu tanto que meus olhos se encheram de lágrimas...reduzi a velocidade do pedal para 12Km/h e imaginei alguma distensão, pedalei mais uns 5Km e a dor me pareceu diminuir.

Mais ou menos nesse momento, Walter e Foca se aproximaram de carro e perguntaram como eu estava, eu avisei que meu joelho estava doendo, que talvez não fosse conseguir. Eles me ofereceram resgate mas como a dor estava sob controle eu decidi tentar chegar ao PC 150Km antes de tomar uma decisão final.

Eles me desejaram boa sorte e foram embora buscar o PC que havia pegado uma carona de caminhão até o PC 250Km.

Eu ainda vi o carro terminando uma subida que eu iria começar em breve.

Era uma subida simples. Mole de fazer. Não consegui pedalar nem 100 metros a dor no joelho aumentava horrores na subida. Tive que descer e empurrar. Um camarada do Audax se aproximou de mim, e tentou me animar a continuar, disse que eu iria terminar sim senhor, que eu chegaria ao PC 200Km faria uma massagem e continuaria, mas estava doendo muito meus camaradas, muito.

Eu subia na bike nos planos e toda vez que eu começava a girar a perna esquerda doia muito, depois de um tempo doia menos, exceto em subidas onde a dor era demais.

Meu amigo me acompanhava, mas eu o estava atrasando, pedi pra ir embora, faltavam dez quilômetros pro PC 200Km e eu chegaria lá nem que fosse empurrando, então ele foi.

Sou muito agradecido a ele pela companhia nesses 20Km, fez muita diferença no meu ânimo. Os últimos 2Km eram de subida, fui empurrando até a descida final.

Uma ambulância do audax passou por mim. Fiz um sinal de OK e continuei empurrando. O carro do audax passou por mim e me ofereceu resgate, agradeci e disse que empurraria até o PC 200Km.

Cheguei ao PC 200Km as 13.20, uma hora depois do meu previsto. Não estava de todo mal. Tinha mais de seis horas para cobrir 100Km, a maior parte descida. Seria mole se estivesse sem dores.

Klaus da organização me animou, disse que eu iria comer um macarrão quentinho, tomar um chocolate, fazer uma massagem subir na bike e completar a prova.

Não deu. A dor foi piorando e eu não conseguia mais dobrar a perna esquerda. Fiquei pensando em fazer a massagem, tomar algum analgésico e voltar a pedalar. Mas parecia que a lesão havia sido grande. Eu poderia terminar a prova e de quebra ganhar uma lesão maior e talvez permanente no joelho e não poder voltar a pedalar.

Milhares de pensamentos e considerações passaram pela minha cabeça. Foi difícil.

Então meus amigos, com uma tristeza que eu tenho certeza, só quem abandona um Audax pode entender, eu decidi parar.

Retirei as luvas. Retirei o capacete. Olhei pra minha bike que havia ralado tanto até aquele momento e me deu uma sensação de solidão e desamparo tão grande que eu quase chorei. Tão perto e tão longe.

Fiquei ali sentado vendo outros ciclistas chegarem e partirem rumo a reta de chegada, cansados mas determinados. Desejei de coração que todos completassem. Fiquei imaginando a felicidade de cada um quando aquela pequena medalinha estivesse em seus pescoços...

Infelizmente essa história, a do pedal Audax 300Km acaba aqui, no quilômetro 200, gostaria de poder contá-la até o final, mas isso ficará para uma outra oportunidade.

Vale dizer que eu vou voltara Porto Alegre, e vou tentar o Audax quantas vezes for necessário até completar a série toda. A satisfação pessoal de conseguir esse feito é impagável e não vou desistir enquanto não sentir essa satisfação completamente.

Para todos aqueles Audaxiosos que estiveram naquele frio, naquela chuva e escuridão, completando ou não o trecho, eu quero dizer que foi um grande prazer poder estar com vocês, gaúchos, paranaenses, paulistas, foram momentos mágicos de pedal.

Ao pessoal do Audax o meu muito obrigado por nos proporcionarem um evento assim, sei que não é fácil, que exige dedicação, abnegação e coragem. Não me senti em momento algum desamparado pela organização. Nos PCs que eu parei e nos carros de apoio com os quais cruzei, eu pude receber sorrisos e palavras de incentivo, um clima afetuoso e de irmandade. Espero poder estar com vocês aí participando do apoio no Audax 400Km. Gostei muito de todos vocês.

Abraços,

Ricardo "Curupas"
Rebas do Cerrado/Pedal Noturno DF

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